sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Música: Rainha (Céu)


Para conhecer mais: 
A Cantora Céu tem uma composição intitulada "Rainha". Confira!




Rainha
Céu
 
Dê água pra Ela beber
Dê roupa pra Ela vestir
Saúde pra dar e vender
Dê paz pra Ela descansar
Adubo pra Ela crescer
Dê rosas pra Ela enfeitar

África,
Cadê
Seu trono de Rainha
Cadê
Dona da Realeza
Cadê
Mãe da matéria-prima
Cadê
Vai levar a vida inteira pra lhe agradecer

África,
Cadê
Seu trono de Rainha
Cadê
Dona da Realeza
Cadê
Mãe da matéria-prima
Cadê
vai levar a vida inteira pra lhe agradecer


Símbolos Adinkra


Símbolo Adinkra do Conhecimento:
 "Quem não sabe pode saber aprendendo"


Os akan,  grupos culturais presentes em países do oeste da África como o Togo, Costa do Marfim e Gana, desenvolveram um sistema de símbolos para expressar ideias. Cada símbolo é usado para transmitir ideias, pensamentos, provérbios ou ditados dos akan e o conjunto desses símbolos recebe o nome de Adinkra.




Este tipo de simbologia pode ser considerado uma escrita pictográfica e é utilizado no cotidiano dessa sociedade representado em tecidos, cerâmica, arquitetura e peças de bronze. Os símbolos Adinkra são uma forma de transmitir o conhecimento do passado para o presente e possui nestas sociedades a mesma função que os documentos escritos tem para a nossa cultura ocidental.

Vamos conhecer alguns desses símbolos e seus significados?











Os símbolos Adinkra são muito utilizados em tecidos. Os símbolos eram impressos nos tecidos com uma espécie de carimbo. Inicialmente, eram confeccionados tecidos com símbolos Adinkra apenas em datas comemorativas, porém, atualmente, esses tecidos são utilizados no dia-a-dia.





Para os akan os tecidos tem um lugar de destaque em sua cultura, pois não servem apenas como vestimenta, mas também como forma de expressão.

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quinta-feira, 10 de setembro de 2015

A Figura do Griô: Além de um Contador de Histórias


Umas das figuras mais importantes para a oralidade na cultura africana é o griô!
O griô pode ser, de uma forma simplista, considerado como um contador de histórias.
Mas não um contador de histórias qualquer. O griô é um livro vivo!




Para ser griô tem de ser de família griô e passar por uma iniciação e formação para sua atuação.
Ele (ou ela) precisam dominar técnicas de controle da mente e memorização, pois a história de toda uma aldeia ou povo depende do griô para ser contada e lembrada.

Os griôs (homens) recebem sua formação de um grupo na aldeia enquanto as griotes (mulheres) recebem sua formação das próprias mães. Há um canto das griotes que diz:

"Tudo o que somos e tudo o que temos,
devemos somente uma vez ao nosso pai,
mas duas vezes à nossa mãe" *

O griô também canta! Muito do que conta é através das canções que compõe com seu instrumento. Esse instrumento é confeccionado por ele.




A forma original e verdadeira de se designar um griô é diéli. Na cultura africana ele é identificado dessa forma. Por qual motivo então, em nossa cultura, ele é chamado griô?

O griô, além de ser o responsável por guardar e contar as histórias, também é um grande conselheiro numa aldeia, respeitado por todos os seus membros e, principalmente, por seus líderes. Ele é consultado para todas as decisões tomadas. É ele quem rememora os grandes feitos dos ancestrais dos líderes e, inclusive, as alianças seladas entre povos ou aldeias.

Assim, o griô é uma figura sempre presente ao lado do líder de uma aldeia. Ao visitarem ou serem visitados por estrangeiros portugueses, foram identificados como "criados" por estarem ao lado do líder. A palavra "criado", quando pronunciada pelos portugueses, soava como "criôdo". Ao ser recebida pelos franceses, a palavra sofre mais uma alteração na pronúncia: "griôdo". De uma forma afrancesada, a escrita ficou semelhantes à "griot".

No entanto, independente da maneira como o chamamos, devemos sempre lembrar sua importância, pois, apesar da história da designação, um griô não é um criado. Devemos reconhecê-lo como o diéli que mantém viva a história de seu povo.

Pensando que acabou?

A palavra diéli também tem sua história!
Certa vez um líder, Sundiata Keita, saúda Bala Fasekê (o griô) com a frase "I Dya Alulali" que significa: "Faça tudo para sempre unir". Com o passar do tempo, a expressão se transforma em "diéli".



Para saber mais você pode consultar na aba "Dica de Livros" a obra Toques do Griô" de Heloisa Pires Lima e Leila Leite Hernandez.

*Lima, Heloisa Pires. Toques do Griô. São Paulo: Melhoramentos, 2010, p. 59.


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Oralidade: As Histórias de Ananse


A oralidade é um traço muito importante da cultura africana. Muitos dos povos do continente eram ágrafos, ou seja, não possuíam língua escrita, e assim, as tradições e as histórias eram passadas de geração em geração através da oralidade.

Assim como em toda cultura existe um mito fundador que pretende explicar o início da existência de algo, há também na cultura africana uma lenda para explicar o início das histórias e da tradição de transportá-las de geração em geração em sua forma oral. É a história de Ananse! Vamos ouvir:




Kwaku Ananse é uma aranha, um homem aranha, que vive em um mundo sem histórias já que todas elas pertenciam a Nyame, o Deus do Céu. Nyame pede a Ananse que lhe traga três poderosas criaturas em troca de conceder-lhe as histórias. Ananse, muito sábio, usa sua esperteza e criatividade para concluir a tarefa e recebe do Deus do Céu o prometido. Quando volta para a Terra, ele e sua esposa aprendem todas as histórias para contá-las aos demais.


Histórias de Ananse, de Adwoa Badoe

Se interessou pela História de Ananse? Você também pode ler!
(Você encontrará maiores informações sobre este livro na aba "Dica de Livros" deste Blog.)




Na simbologia ADINKRA, Ananse também é retratado. A "teia de aranha" simboliza a sabedoria, a criatividade e as complexidades da vida.

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Historiografia: Povos Ágrafos


Durante muito tempo, a historiografia considerou a construção e veracidade da História apenas embasada em documentos escritos e oficiais. Somente a partir da análise desses documentos é que se podia precisar a história de um local, povo ou período.

Essa escola de pensamento desprezava qualquer outra manifestação de registro histórico, assim, a História da África também foi subjugada enquanto contribuinte para a História Mundial, haja vista a escassez ou falta total de registros escritos que pudessem concretizar o estudo historiográfico.





Uma das percepções errôneas que ainda está por ser desconstruída é a de que a História da África só começou a existir após a chegada do europeu naquele território. Essa linha de raciocínio desmerece, portanto, toda a cultura existente no continente africano antes da colonização europeia.

Ocorre que muitos povos ao sul da África eram ágrafos, ou seja, não possuíam uma língua escrita. Esse fator, aliado a visão historiográfica da História a partir dos documentos escritos e oficiais, auxiliou na imagem pejorativa que se formou acerca da África.

No entanto, com a mudança das correntes historiográficas vigentes até então, foi possível acrescentar a cultura local e suas manifestações como objeto de estudo e, portanto, úteis ao registro histórico onde havia ausência de documentos escritos.




Logo, as roupas, desenhos, utensílios, danças, músicas, formas de fazer e se relacionar foram incorporadas a construção histórica alterando a visão deturpada da África apenas como fruto de sucessivas colonizações.

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terça-feira, 25 de agosto de 2015

A importância do Passado: Conselhos do Rafiki


O vídeo abaixo é um excerto do filme "O Rei Leão", da Walt Disney, lançado em 1994.
Neste trecho, o personagem Rafiki diz a Simba, filho do Rei Mufasa, a importância de aprendermos com o passado.




Você sabia?

O filme "O Rei Leão" é o único longa-metragem da Walt Disney que foi 
dublado em uma das línguas da África do Sul, a língua zulu.


E quem nunca se emocionou ao ouvir a trilha sonora de abertura do filme?




Ciclo Sem Fim
O Rei Leão
 
Nants ingonyama bagithi Baba [Aqui surge um leão, pai]
Sithi uhm ingonyama [Oh sim, é um leão]

Nants ingonyama bagithi baba
Sithi uhhmm ingonyama
Ingonyama

Siyo Nqoba [estamos indo para conquistar]
Ingonyama
Ingonyama nengw' enamabala [Um leão e um leopardo estão vindo para esse lugar aberto]

Desde o dia em que ao mundo chegamos
Caminhamos ao rumo do sol
Há mais coisas pra ver
Mais que a imaginação
Muito mais que o tempo permitir

E são tantos caminhos pra se seguir
E lugares pra se descobrir
E o sol a girar sobre o azul deste céu
Nos mantém neste rio a fluir

É O Ciclo Sem Fim
Que nos guiará
A dor e a emoção
Pela fé e o amor
Até encontrar
O nosso caminho
Neste ciclo, neste ciclo sem fim

É O Ciclo Sem Fim
Que nos guiará
A dor e a emoção
Pela fé e o amor
Até encontrar
O nosso caminho
Neste ciclo, neste ciclo sem fim

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