Umas das figuras mais importantes para a oralidade na cultura africana é o griô!
O griô pode ser, de uma forma simplista, considerado como um contador de histórias.
Mas não um contador de histórias qualquer. O griô é um livro vivo!
Para ser griô tem de ser de família griô e passar por uma iniciação e formação para sua atuação.
Ele (ou ela) precisam dominar técnicas de controle da mente e memorização, pois a história de toda uma aldeia ou povo depende do griô para ser contada e lembrada.
Os griôs (homens) recebem sua formação de um grupo na aldeia enquanto as griotes (mulheres) recebem sua formação das próprias mães. Há um canto das griotes que diz:
"Tudo o que somos e tudo o que temos,
devemos somente uma vez ao nosso pai,
mas duas vezes à nossa mãe" *
O griô também canta! Muito do que conta é através das canções que compõe com seu instrumento. Esse instrumento é confeccionado por ele.
A forma original e verdadeira de se designar um griô é diéli. Na cultura africana ele é identificado dessa forma. Por qual motivo então, em nossa cultura, ele é chamado griô?
O griô, além de ser o responsável por guardar e contar as histórias, também é um grande conselheiro numa aldeia, respeitado por todos os seus membros e, principalmente, por seus líderes. Ele é consultado para todas as decisões tomadas. É ele quem rememora os grandes feitos dos ancestrais dos líderes e, inclusive, as alianças seladas entre povos ou aldeias.
Assim, o griô é uma figura sempre presente ao lado do líder de uma aldeia. Ao visitarem ou serem visitados por estrangeiros portugueses, foram identificados como "criados" por estarem ao lado do líder. A palavra "criado", quando pronunciada pelos portugueses, soava como "criôdo". Ao ser recebida pelos franceses, a palavra sofre mais uma alteração na pronúncia: "griôdo". De uma forma afrancesada, a escrita ficou semelhantes à "griot".
No entanto, independente da maneira como o chamamos, devemos sempre lembrar sua importância, pois, apesar da história da designação, um griô não é um criado. Devemos reconhecê-lo como o diéli que mantém viva a história de seu povo.
Pensando que acabou?
A palavra diéli também tem sua história!
Certa vez um líder, Sundiata Keita, saúda Bala Fasekê (o griô) com a frase "I Dya Alulali" que significa: "Faça tudo para sempre unir". Com o passar do tempo, a expressão se transforma em "diéli".
Para saber mais você pode consultar na aba "Dica de Livros" a obra Toques do Griô" de Heloisa Pires Lima e Leila Leite Hernandez.
*Lima, Heloisa Pires. Toques do Griô. São Paulo: Melhoramentos, 2010, p. 59.
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